Manutenção da Mota
Vou descrever todo o processo de manutenção regular que faço a cada 3 ou 4 meses, ou mais cedo consoante os quilómetros que faço nessa altura. Para além destes intervalos, lubrifico a corrente a cada 500-600 km, ou sempre que noto que está seca.
A parte mais importante é a manutenção da corrente. É a que exige mais cuidado, porque uma falha a meio de uma viagem pode ser muito perigosa. Em contrapartida, é fácil de fazer: bastam dois produtos, um para limpar a corrente e outro para a lubrificar. Há outros materiais que ajudam, como um descanso central (ou um cavalete, na falta dele).
Se não tiveres descanso central nem cavalete, podes pedir a alguém que rode a roda com a mão enquanto seguras a mota direita (ou vice-versa), para a corrente ir girando.
A rotina
- Preparação: Retira as malas e outros acessórios da mota e junta o material necessário: água, detergente, querosene e pincéis/esponjas.
- Remover a sujidade: Molha um pincel em querosene e esfrega bem a corrente e a zona à volta para soltar a sujidade.
- Lavar: Lava o resto da mota com detergente e uma esponja.
- Enxaguar: Passa por água para tirar o detergente e a sujidade que restar.
- Secar e lubrificar: Deixa a mota secar e, por fim, aplica lubrificante ao longo de toda a corrente, de preferência pelo lado de dentro. Deixa assentar uns 10 minutos antes de andar, para não saltar todo.
Folga da corrente
Mede a diferença entre o ponto mais alto e o mais baixo da corrente quando a empurras e puxas com a mão, a meio do troço inferior. Compara com o valor recomendado no manual e ajusta conforme necessário. Mais vale uma corrente ligeiramente folgada do que demasiado esticada. Apertada de mais, força os rolamentos e os carretos.
Travões e óleo do motor
Dois fluidos que vale a pena espreitar de cada vez.
Líquido dos travões. Cada travão tem o seu pequeno reservatório: o da frente fica no guiador, o de trás normalmente atrás de uma tampa, junto à bomba traseira. Com a mota direita e o reservatório nivelado, confirma que o líquido está entre as marcas MIN e MAX. Deve estar transparente e claro; se estiver escuro, está na altura de o trocar. Um nível baixo costuma indicar pastilhas gastas, por isso verifica-as também. Atesta apenas com o tipo de DOT indicado na tampa.
Óleo do motor. Põe a mota direita em piso plano, não no descanso lateral. Liga o motor durante um minuto, desliga e espera dois ou três minutos para o óleo assentar. Depois lê o nível: pelo visor deve ficar entre as marcas; com a vareta, limpa-a, pousa-a sobre a rosca sem a enroscar e vê até onde chega o óleo. Se estiver baixo, atesta com o grau indicado no manual.
Pressão dos pneus
Mede a pressão com um manómetro e os pneus frios, antes de andar ou após uma distância curta. Usa os valores do manual ou do autocolante, normalmente no guarda-corrente ou na basculante, e não o máximo gravado no pneu. Ajusta conforme necessário e aproveita para ver se os pneus têm desgaste, fissuras ou algo espetado no piso.